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Seja o protagonista das mudanças que você deseja na administração pública

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As organizações são constituídas como realidades sociais, incorporando novos atores independentemente da posição social que ocupam. A sua capacidade de intervir de maneira criativa e eficiente na realidade social não depende apenas das habilidades dos atores sociais nelas envolvidos em compreender situações diversas, mas também da sua competência de gerar e apropriar conhecimentos que possibilitem encaminhar soluções adequadas a essa realidade.

Além disso as organizações privadas e públicas são sistêmicas, e entender essa realidade construída socialmente e propor mudanças na sua forma de agir é uma tarefa complexa, especialmente nas gestoras das políticas públicas.

As transformações que estão ocorrendo na administração pública representam um processo relativamente recente, pois é difícil desalojar os interesses privados que perpassam as estruturas organizacionais estatais para dar lugar aos interesses coletivos.

A administração pública, exercida por gestores elevados ao cargo através de eleições livres, embora esteja sujeita aos requisitos de eficiência que inspiram a gestão racional de qualquer empreendimento, é também objeto das questões de poder que identificam sua natureza política, característica que gera particularidades nem sempre fáceis de serem equacionados.

O ato de definir prioridades, por exemplo, pode ser influenciado por fatores, não explicitamente revelados, muitas vezes vinculados a projetos pessoais voltados para uma carreira política que depende de reeleição e sucessão político-partidária. Com efeito, a visibilidade de certos empreendimentos geradores de um maior apelo e potencial de marketing eleitoral, pode interferir no estabelecimento de ações prioritárias pessoais, em detrimento dos anseios dos cidadãos.

Os países chamados emergentes portam características que tornam a gestão pública ainda mais complexa, com desafios por vezes tidos como intransponíveis. É muito comum, por exemplo, que a demanda pelos serviços considerados essenciais esteja além das possibilidades de um gestor atendê-las em seu mandato, gerando sempre níveis de conflitos e a necessária negociação.

As sociedades de países chamados de emergentes, como o Brasil, se caracterizam pela convivência do tradicional com o moderno, gerando ambientação onde a administração pública assume fortes nuances de patrimonialismo, clientelismo, corporativismo, nepotismo, quando não do ainda presente coronelismo. Estas manifestações de uma cultura política considerada ultrapassada convivem em equilíbrio dinâmico com os símbolos, instrumentos, tecnologias, doutrinas de gestão e instituições da administração contemporânea das sociedades globalizadas.

Tais características conferem à administração pública brasileira um dinamismo e complexidade que a torne um campo merecedor de estudos das mais diferentes ordens, promovendo um melhor conhecimento nos planos descritivo, analítico e reflexivo.

A complexidade dos problemas sociais exige vários olhares, diversas abordagens, unindo saberes e práticas para o entendimento e a construção integrada de soluções que envolvam ao máximo a transversalidade, privilegiando os interesses coletivos, garantindo-se assim à população uma vida com maior qualidade.

Trabalhos referentes à gestão pública conferem uma contribuição concreta se favorecerem intervenções que envolvam a possibilidade de se detectar modelos, situações, experiências e linhas de ação que possam acrescentar qualitativamente a essa modalidade de gestão. Afinal, o Brasil possui 5.570 municípios, todos com gestores públicos, os prefeitos, eleitos regularmente a cada quatro anos.

Certamente, além de seus compromissos concretos com os pressupostos básicos reconhecidos pelos que lhe conferiram o cargo eletivo, há que dominarem princípios básicos do processo de gestão, especialmente da gestão pública.

Moramos, todos, nos municípios e, portanto, é neles que tudo acontece. Temos, a cada quatro anos, a possibilidade de escolher quem irá administrar a cidade onde moramos.

Desta forma, considero que a eleição mais importante das existentes no Brasil é a eleição municipal, não só porque escolhe-se o prefeito, mas, também, porque define-se a composição das câmaras municipais, um ente que não deveria tratar somente de dar nomes aos logradouros públicos ou solicitar honrarias para as mais diversas coisas, mas, principalmente, deve legislar na busca do aperfeiçoamento de planos, metas, e orçamentos municipais que visem a melhoria da qualidade de vida dos munícipes.

A necessidade de mudanças nessas organizações e na sua gestão, notadamente em nível municipal, onde as pessoas vivem e têm necessidade de utilizarem os serviços públicos, é uma tarefa que exige a busca de saberes para inovar e dar eficiência à sua gestão.

Mas, essas necessidades sempre trazem em seu bojo um grande dilema: por um lado os reformadores anseiam por Estados contendo estrutura mais enxuta e mais eficiente, impulsionado por regras de mercado e administrado por profissionais de considerável experiência; por outro lado, a administração pública não se caracteriza por uma estrutura claramente objetiva associada à simples função de produção, o que lhe confere particularidades gerencias diferenciadas.

Assim sendo, é ultrapassada há mito tempo a hora de votarmos por um simples dever (mesmo porque a multa para quem não vota é irrisória), mas votarmos da forma mais racional possível, analisando profundamente as propostas de cada candidato e a sua formação educacional, sem desperdiçarmos a oportunidade de melhorar o nível da qualidade de vida do município de forma que isso se reflita no Brasil como um todo.

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