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O Brasil e seu destino

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Após vinte e um anos de ditadura militar, Tancredo da Silva Neves (MDB) enfrentou o estado de exceção e se elegeu, em eleição indireta por um colegiado indicado pelos militares, enfrentando o ungido pelos próprios militares, Paulo Salim Maluf (ARENA), como presidente da República Federativa do Brasil. Aí, o acaso do destino (e quem sabe não tanto acaso assim), falece e toma posse o vice-presidente eleito José Sarney, que por muito tempo foi da ARENA e se bandeou para o MDB.

Foi durante o governo Sarney que o Brasil se tornou um laboratório de planos econômicos (Plano Cruzado, Plano Verão I, Plano Verão II). Aconteceu, também, durante o seu governo a promulgação da Constituição de 1988, criada por uma Assembleia Constituinte formada por deputados eleitos em 1986.

Somente em 1989 é que tivemos o retorno das eleições diretas para cargos majoritários, e depois de um primeiro turno onde houve 22 candidatos para a presidência do Brasil, classificaram-se para o segundo turno Fernando Collor de Mello (20 611 011 votos) e Luiz Inácio Lula da Silva (11 622 673 votos). O resultado do segundo turno foi Fernando Collor de Mello (35 089 998 votos) e Luiz Inácio Lula da Silva (31 076 364 votos). Lula perdeu essa eleição no segundo turno graças a uma intervenção da mídia prevalecente, que trouxe para o último debate que antecedeu a votação o caso da Lurian, filha do Lula fora do casamento.

Collor institui o Plano Collor, que deixou tudo e todos com, em moeda de hoje, R$50 nas nossas contas correntes, sequestrando o restante em nome de uma restritiva política monetária. A verdade foi que a mesma mídia prevalecente, que o elegeu, pilotou uma propaganda acirrada contra ele que redundou na sua renúncia (já com o processo de impeachment decidido).

Para concluir o mandato, assumiu seu vice-presidente, Itamar Franco, que depois de trocar por seis vezes o ministro da fazenda, nomeou Fernando Henrique Cardoso, e este, junto com uma equipe de economistas, criou o Plano Real, plano este que definitivamente estancou a inflação reinante na época.

Com o sucesso do Plano Real, Fernando Henrique derrotou na eleição de 1994 em primeiro turno novamente Lula. Mas, ao invés de aproveitar o seu prestígio e aprovação popular no patamar dos 85% para fazer as mudanças estruturais que o País necessitava, preferiu fazer alianças de todo o tipo para garantir a aprovação da medida provisória que criou a reeleição para os cargos majoritários. O seu primeiro mandato foi marcado de êxito, mas já o segundo mandato, eleito em 1997 outra vez ganhando de Lula, devido às alianças que fez, foi sofrível, voltando a inflação para o patamar dos dois dígitos (12,5%).

Devido a isto e a falta do seu apoio para o candidato do PSDB nas eleições de 2003, José Serra, Lula (PT) candidato novamente ganha em segundo turno. Surfando numa época de tranquilidade na economia internacional, Lula se reelege em 2009 para um segundo mandato e cria vários programas sociais que não exigiam nenhuma contrapartida.

Sem lançar mão de artimanhas que pudesse lhe proporcionar um terceiro mandato, lança a candidatura de Dilma Rousseff, que desempenhava o papel de Ministra da Casa Civil do seu governo.
Com várias acusações contra Lula (mensalão) e depois contra a própria Dilma, ela consegue a sua reeleição num discutido e discutível segundo turno contra Aécio Neves, neto de Tancredo Neves.

Ela sofre o segundo impeachment da história pós-ditadura, assumindo o seu vice Michel Temer.

Atualmente conhecemos muito bem o passado e o presente de todos os presidentes pós-ditadura, bem como o de Aécio Neves, e o Brasil segue, sem lenço, sem documento e, principalmente, sem qualquer perspectiva para as eleições de 2018.

Em nome de uma propalada melhoria na economia, uma vez que fundamentos macroeconômicos não demonstram nenhuma melhoria (pib per capita e desemprego), não será surpresa que Temer seja mantido até 2018, mas vai ser um refém de si próprio. Caso assuma Rodrigo Maia, também nada fará devido as denúncias que pesam sobre ele na Operação Lava Jato.

O Brasil carece de novos líderes, isentos de falcatruas, e seguirá o seu destino de ser o País do futuro, um futuro inalcançável enquanto não for feita a depuração completa no seu meio político, principalmente porque todos os partidos ora existentes são oriundos ou do MDB ou da ARENA.

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