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O viés da falta de visão holística na administração pública

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https://carrilhofarias.blogspot.com/2011/05/feudos-organizacionais-uma-disfuncao.html

O feudalismo foi uma forma de organização econômica, política e social que prosperou no mundo inteiro tendo o seu auge no Século X. Esse sistema funcionava dentro de determinadas regras, tais como uma sociedade com pouca mobilidade, hierarquizada e cada senhor feudal cuidando do seu próprio território, com vistas aos seus interesses pessoais, limitando sobremaneira os avanços sociais e a própria administração pública.

O pior é que continuamos a conviver com os três tipos de administração pública: a patrimonialista (a que confunde a coisa pública com a coisa privada), a burocrática (aquela que se preocupa muito com regras e quase nada com os resultados) e a gerencial (aquela que sem deixar de se preocupar com as normas, mas dá ênfase ao resultado). Isso faz com que feudos se estabeleçam, cada qual defendendo os interesses particulares em detrimento dos interesses gerais da população. E isso é fortemente corroborado pela falta de uma visão holística do que é a essência da administração pública, prejudicando e atrasando sobremaneira o desenvolvimento econômico, político e social do Brasil.

O resultado disso não poderia ser outro se não o da existência de um modelo ultrapassado, pouco assertivo, ineficaz, inefetivo que não dá margem para a plena utilização das inovações na administração pública.

Não podemos esquecer que fizemos primeiro as privatizações para depois instituirmos as agências reguladoras, que por muito tempo eram dotadas de dirigentes sem qualquer experiência e/ou conhecimento de regulação e da área de atuação da sua específica agência.

Ou seja, tornaram-se um imenso cabide de empregos que abrigava apaniguados do executivo maior. Caso tomarmos como exemplo o último desastre aéreo no aeroporto de Congonhas, que fez 200 vítimas fatais, na época a ANAC, que era uma verdadeira ANARQUIA, não possuía nenhum diretor com o mínimo conhecimento de aviação civil.

Os avanços para um maior e melhor conhecimento holístico na administração pública dependem de maior segurança regulatória e jurídica que permitam atrairmos investimentos. E aqui entra mais um componente em falta na gestão pública: a intersetorialidade entre todos os atores envolvidos, sejam públicos ou não-governamentais, criando-se um ambiente de confiança e que busque a competição sadia e eficiente. Ou seja, devemos definitivamente acabar com os feudos político-administrativos e tratar o planejamento público de forma duradoura e holística.

Outro assunto que nos envergonha são os acidentes previsíveis nas barragens de resíduos, sejam de minérios ou de qualquer outra fonte. A Engenharia no Brasil há muito tempo é capaz de soluções criativas e seguras, mas os conluios com as grandes organizações denigrem os bons engenheiros formados aqui no Brasil, e passam uma imagem totalmente negativa do País ao exterior, prejudicando ainda mais a captação de novos investimentos.

O viés da falta de uma visão holística e a consequente falta de intersetorialidade fazem com que, mesmo sendo o Brasil a sétima ou oitava (dependendo de determinadas fontes) economia mundial, temos que amargar o melancólico septuagésimo nono lugar no índice geral do IDH, o que é incompatível com a nossa colocação mundial pelo PIB.

Outro ponto, esse sim holístico, é a corrupção reinante apesar de todos os esforços da Lava Jato, fazendo com que o Brasil tenha atingido sua pior colocação no ranking de corrupção. Ocupamos a centésima quinta posição no

IPC ( Índice de Percepção de Corrupção), sendo que o Uruguai ocupe a vigésima quarta, o Chile a vigésima sétima e a Colômbia a nonagésima nona colocação. Sem dúvida, o resultado péssimo do Brasil se deve a dois principais fatores indutivos: a) as reiteradas denúncias contra Michel Temer, e, b) pela total inércia do Congresso em fazer avançar políticas públicas que propiciariam reformas anticorrupção.

Esse é o cenário que espera pelo ressuscitado presidente Bolsonaro, que ainda vai ter que lutar contra a reeleição de Rodrigo Maia para a presidência da Câmara Federal e a de Renan Calheiros para a presidência do Senado.

Que realmente Deus nos ilumine e proteja.

 

Prof. Msc. Mario Pascarelli Filho
Coordenador do Curso de Pós-Graduação Gerente de Cidade da FAAP
Sócio Proprietário da MARIO PASCARELLI CONSULTORIA

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